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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O arco-íris tem sete cores!














                                               Porque temos que nos limitar a uma só???


O Fernando, lá em Porto Alegre, também tem uma infância colorida:



Seu filhote também está livre da ditadura azul-ou-rosa? Me conta!

UPDATE: Olha quanta criança linda colorindo o mundo por aí:

A Vuvuzelinha da Renata, veio disfarçada mostrar para a gente que nem toda princesa precisa vestir cor-de-rosa para ficar linda:


A Gabriela é filha da Eliara, uma leitora muito querida, e também espalha muitas cores por aí:

 

E agora vamos passear por aí e ver quantas cores podem caber na mesma infância? Vem comigo!

Tem o Joaquim, com todas as cores evah.

A pequenininha da Cris (que fez toda uma retrospectiva colorida que me deixou babando!).

As crianças do meu dia a dia de mãe (muito a minha infância isso, tudojuntoemisturado)

A Ana Elisa, que pode brincar com seus carrinhos em paz (e ensinar os priminhos que menino também brinca de Barbie).

A Isadora é fã dos Power Rangers

XXXXXXX

Fico muito, muito contente em ver tantas mães plantando uma sementinha contra o preconceito e este jeito binário de criar as crianças.

Que eles sejam crianças coloridas e virem adultos de mente arejada que espalham muitas cores por aí!

Obrigada gente 




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Por uma infância colorida - parte II

Gente, estou muito muito feliz com a repercussão que o post de ontem teve.

E, principalmente, porque tem muito mais gente que se revolta tem uma visão crítica a respeito desta ditadura das cores e das brincadeiras.

Quer ver?

Tem a Sylvia, que reflete sobre essa questão, inclusive, no trabalho dela. E está determinada a ajudar a acabar com este preconceito que existe hoje. Sylvia, vem trabalhar na escola da Helena?

A Dione já tinha reclamado na semana passada sobre o mundo monocromático das meninas.  Que baita coincidência, amei.

A Ivana sabe que brinquedos são objetos de experimentação e conhecimento e nem pensa em limitar o acesso a eles por parte de seus filhos.

E a Ká Smith, que já acorda linda (rá!), foi além e deu tapa na cara da sociedade vestindo a linda Chloe de azul no primeiro dia de vida da pequena.

A Cris se encheu com vendedoras-ditadoras mala e contou de um jeito que expressa exatamente o que eu penso. 

Você também escreveu sobre isso? Me conta!

E amanhã espero ver um monte de criança linda e colorida por aí. Não esqueçam de me avisar!



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Brinquedo tem gênero?


Até quando?


E a "polêmica" do dia aqui no prédio é o garotinho de TRÊS anos que foi impedido pelo pai de empurrar os carrinhos de bonecas das meninas (minha filha inclusive) porque isso não é brincadeira de macho. 

Coloco polêmica entre aspas porque todo mundo achou normal - menos eu e a mãe de um outro garotinho, de pouco menos de dois anos, que não vê mal nenhum no fato de seu filho tomar parte nestas brincadeiras. E ficou, assim como eu, chocada com essa história de tolher as brincadeiras de uma criança de TRÊS ANOS, com o objetivo de transformá-lo em um verdadeiro macho.

Eu particularmente acho um crime - e um desserviço - que os meninos sejam impedidos de brincar com bonecas. Bonecas são brinquedos que, na minha visão de leiga, estimulam a expressão da afetividade, do cuidado. Qual é o problema em um menino ser "treinado" nestas questões?

Sou pouco mais que dois anos mais velha que meu irmão. A vida toda, em casa, brincamos juntos. Com as minhas bonecas e os carrinhos dele. E nem por isso ele virou menos macho (quer dizer, espero que ele não se comporte como um macho na acepção que este pai aparentemente tenta dar ao termo) ou eu, menos fêmea (sim, o feminino de macho é fêmea, pai preconceituoso. Lembre de falar nestes termos quando for tentar impedir sua filha de brincar com carrinhos).

Brinquedo é brinquedo, eu acho. Mas parece que sou uma das poucas que pensa assim. Porque o senso comum determina que as meninas continuem presas para sempre no mundo cor de rosa das princesas malas, enquanto aos meninos só são permitidas as variações do azul e dos carros, animais, armas e bonecos agressivos. Quanto reducionismo!

Quando a Helena fez aniversário, ganhou alguns brinquedos repetidos. Juntei todos e fui à loja trocar. Escolhi algumas coisas que ela não tinha, gosta e eu acho interessante: alguns carrinhos (ela sempre AMOU brincar com os carrinhos dos meninos aqui do prédio); um controle remoto de brinquedo, preto, bem parecido com o de verdade (beijo para o gênio que inventou isso); um tamborzinho / xilofone e uma mini-mesa de carpintaria.

No caixa, a moça separou os carrinhos e a mini-mesa de carpintaria e decretou esses são para presente, né? Eu disse que não, e ela me perguntou se eu tinha dois filhos. Neguei de novo, e ela me disse que tinha entendido que eu tinha uma menina. Eu disse que era sim, uma menina. E que aqueles brinquedos eram para ela. Como resposta, obtive dois olhos espantados e uma expressão de horror mas a senhora vai levar carrinhos e uma mesinha de carpinteirO para a menina??????

Apenas respondi que sim e encerrei o assunto, porque não tenho que prestar contas da minha vida nem de como educo minha filha para uma desconhecida. Mas saí pensando no assunto.

E agora, com a proibição do garoto de brincar com os carrinhos de bonecas, tive a confirmação: as pessoas (os adultos, porque as crianças nunca estiveram nem aí com isso) acham que brinquedo tem, sim, gênero. Que brincar com os objetos pertencentes ao gênero "errado" pode interferir no desenvolvimento da sexualidade das crianças (oi?).

Fico espantada de verdade - e muito desanimada - com isso. Mais uma geração de pais perde a oportunidade de criar filhos mais abertos, com menos preconceito. Vejo lá na frente mais uma geração de mães reclamando que "meu marido não ajuda com as crianças e a casa". A nossa geração, que tem essa reclamação hoje, está perdendo a chance de mudar o futuro.

Muito triste.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sobre festas e valores

A Dani fez um comentário no vídeo dela para o Mamatraca que me fez pensar. Ela lembra de um hábito que se perdeu nos aniversários infantis: abrir os presentes na hora.

E é verdade: o convidado chegava, a gente dava aquela espiada marota na mão dele para conferir se estava mesmo levando o presente e tentar adivinhar se era roupa ou brinquedo, abria o presente rasgando o papel para dar sorte e ganhar outros mais, agradecia na hora, jogava o papel embaixo da cama para dar sorte e ganhar outros mais (dupla proteção), colocava o presente em cima da cama e voltava para a festa. No meu caso, se o presente fosse ou tão irresistível que não daria para esperar ou tão banal que eu não me importava de dividir com os outros, eu já saía brincando com ele.

Me lembro bem das primeiras vezes em que fui em aniversários em buffet infantil (eu já era grandinha e lembro bem de quando estes buffets surgiram, pelo menos no meio em que circulava - pode ser que eles já existissem para as crianças mais abastadas, uma vez que era algo beeeem caro). Eu deveria ter uns 10, 12 anos e lembro de que todo mundo achava a coisa mais esquisita do mundo a gente entregar o presente para uma pessoa X, e não para o aniversariante. E depois nunca mais ficar sabendo se o presente chegou mesmo ao destinatário, se ele gostou e etc.

Como o habitual na minha vida eram as festas em casa, que foram mudando de cara e ficando cada vez menores conforme fui crescendo, toquei o barco abrindo os presentes na hora e nunca mais pensei no assunto. E como tudo o que era novidade e depois vai sendo incorporado aos nossos hábitos, me acostumei a nunca esquecer de colocar o nome do presente e a entregá-lo para algum desconhecido na entrada do buffet - ou então de colocar o presente em uma caixa na porta da festinha. E deixei de achar esquisito não ouvir nunca mais falar no presente depois dele entregue.

Tudo isso até a minha filha completar um ano de vida. Bem boiada-style, sem refletir nada sobre o assunto, fui lá e coloquei uma caixa no salão de festas, para colocar os presentes. Levei até uma caneta para escrever o nome do presenteador, caso ele esquecesse. Já tinha ajudado a minha cunhada na festa da minha sobrinha, e imitei o que ela fez.

Quando o primeiro convidado chegou, abrimos o presente na hora. A Helena ficou brincando com ele e talz. Mas as pessoas foram chegando, chegando... e pronto. Todo mundo deixou os presentes lá, na tal caixa.

Ao final da festa, tínhamos uma montanha de presentes - todos eles identificados, pelo menos. Como a pequena estava bem cansada, fomos dormir e deixamos eles lá. No dia seguinte, eu, meu marido e a baixinha fomos abrir os presentes.

E sabe que foi algo estranho? Porque bate uma certa ansiedade para abrir tudo, ver tudo. Não se curte cada presente ganho. Se quer saber logo o que vem depois. É a substituição da olhadinha marota na mão do convidado pela olhada ansiosa em direção ao próximo pacote. O que torna tudo muito impessoal e mecânico.

Posso estar viajando. Mas me parece que este hábito é meio que um reflexo - ou um sintoma? - dessa nossa sociedade cada vez mais consumista e preocupada com o ter, o aparentar.O que importa é ter uma pilha de presentes, independente de quem os deu, quem os escolheu. É preciso abrir mais um e mais um e mais um. Cadê o abraço depois de ver que aquela tia querida te deu a boneca que você tanto desejava? Acabou.

O que decidi agora, depois de pensar nisso tudo? Acabou essa história aqui em casa. A partir de agora, presente se abre na hora, na frente de quem o deu. E se agradece na hora, também. Nada mais de email e cartão no dia seguinte (fiz assim na primeira festa, porque a pessoa comprar o presente com o maior carinho e nem ficar sabendo se a gente viu é um pouco demais para mim). Eu acho que a criança precisa associar diretamente aquele presente a quem o deu. E que o que importa é o gesto de carinho, e não mais um objeto perdido no meio daquela montanha de objetos.

Valeu, Dani, pela reflexão.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Ainda no tema, também tenho visto uma coisa que me parece que (ou é o meu microcosmo que tá muito louco?) está caminhando a passos largos para se tornar algo muito comum: juntar os aniversários de dois irmãos em uma única festa. Ainda que um dos irmãos tenha nascido em agosto e o outro, em outubro. Ou, pior ainda, ainda que uma das irmãs tenha nascido em setembro e a outra em março (!!!).

Conversando com as mães, sempre o mesmo motivo: porque assim dá para fazer uma BIG festa para os dois, ao invés de cada um ter uma festa mais simples. Poupa dinheiro e poupa trabalho na organização do mega evento.

Espera um pouco... a criança (e estamos falando de menores de cinco anos) PRECISA mesmo ter uma BIG festa no buffet mais badalado da cidade? Ou uma super produção montada pelo decorador da moda, fotografada pelo fotógrafo da moda, animada pelo animador da moda? Os cupcakes da grife tal, docinhos em formato de girafa, mesa disso e daquilo, lembrancinhas mais caras que os presentes?

Ou a criança quer, apenas, se sentir especial e celebrada naquele dia? No dia do SEU aniversário?

Porque vamos combinar que fazer uma festa depois de um, dois meses do dia correto do aniversário é perder totalmente o objeto da comemoração? Ainda mais no caso de crianças tão pequenas, para quem a noção de tempo é tão diferente da nossa.

Eu adoro uma festa de aniversário e faço questão de comemorar sempre. E nunca nem me passou pela cabeça - e eu detestaria - fazer uma festa em junho, sendo que nasci em abril. Porque faria isso para meus filhos (e, ainda, privando cada um deles de ter uma festa própria)?

Eu entendo completamente a festa única quando os aniversários são bem próximos. Uma amiga tem uma filha nascida em 27.11 e um menino do dia 10.12. São duas semanas de diferença, e uma festinha bem no meio do caminho é super ok. Agora... uma festa (ainda que uma super festa) depois de dois meses?

Ah, as mães argumentam, mas uma super festa - seja em buffet, seja uma superprodução em casa - é algo muito caro, que demanda muito trabalho (são muitos fornecedores envolvidos), não dá para fazer duas no mesmo ano. Eu penso que festa é algo que deve caber no nosso bolso. Se exige malabarismo financeiro para acontecer, minha amiga... tem algo de muito errado no reino da Dinamarca. Faça uma festa simples, em casa, para os cinco melhores amiguinhos, os avós e as tias. Sirva cachorro-quente (tem comida de festa mais barata?), bolo e brigadeiro. O aniversariante vai amar, eu prometo. Muito mais que uma super produção dividida com o irmão depois de quatro meses do aniversário de verdade.

No fim das contas, a gente acaba entendendo para quem é a super festa, não é mesmo? Porque tenho certeza que essas crianças adorariam comemorar o dia delas (como eu me lembro da alegria que ficava no dia da festa do meu aniversário, contando os minutos desde cedo e acompanhando toda a movimentação da casa. Quando o aniversário de verdade caía no dia da festa, então, era a glória. Eu era a mais especial de todas as crianças da face da terra) no dia delas. Mas de uma festinha cachorro-quente-bolo-brigadeiro, os pais não podem ficar se gabando na porta da escola... ou podem?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Dependência

Na segunda-feira fui levar a Helena à escola e uma cena me chamou a atenção: um carro parou na frente da escola, e de lá desceram o pai, a criança (aparentava uns dois anos) e uma babá. O pai ficou de lado, a babá carregou a criança no colo até encontrar a professora (o sistema lá é esse: as classes têm poucos alunos e as crianças menores são entregues diretamente para a professora) e, entregue a criança, voltaram os dois para o carro.

Eu fiquei pensando na logística toda da coisa: esse pai quase que com certeza sai de casa, leva a criança até a escola, volta para casa para deixar a babá e vai para o trabalho (o pai estava de terno). Fiquei com aquilo na cabeça. No dia seguinte, fui na mesma hora e encontrei este mesmo pai com esta mesma babá saindo da escola.

Hoje, na hora do jantar, meu marido comentou que leu em algum lugar uma notícia sobre o nascimento do filho do Sarkozy, e um trecho chamou muito a atenção dele. Era algo do gênero "o presidente foi visitar o filho na maternidade e de lá seguiu para a Alemanha". Um prenúncio de relacionamento bem bacana entre pai e filho, não?

Contei então sobre a cena na porta da escola, e meu marido disse que já viu sim esse pai (não devem ter muitos pais que param na escola pequena com um carrão e uma babá) e definiu muito bem: é medo, Dani. As pessoas têm medo de ficar a sós com seus filhos. 

E não é que ele tem razão? Muitas pessoas se desacostumaram a ficar a sós com seus filhos. Não sabem o que fazer, não sabem como agir. Têm medo da criança chorar, ou ter um ataque de birra e não conseguirem sair da situação. Ficamos conversando sobre as atitudes de muita gente próxima da gente, inclusive, e realmente... percebemos que grande parte dos pais, em especial (mas muitas mães também) simplesmente nunca, ou raríssimas vezes, ficou sozinho com o filho. Conheço pai que nunca deu banho na filha de dois anos, por exemplo. Outro que nunca deu comida para a criança. Mãe que não coloca o filho para dormir há meses.

Estão sempre cercados por um exército de babás, folguistas, enfermeiras. E isto não é uma crítica a quem emprega estas profissionais - eu mesma deixei de ter babá a pouquissimo tempo e acho que é mesmo uma mão na roda. Ter uma ajuda é diferente de não saber cuidar do filho. Aqui em casa as tarefas principais - banho, comida, dormir - sempre foram nossas, do pai e da mãe. São assumidas por outras pessoas (seja a babá, as avós ou a empregada) somente na nossa ausência, ou seja, na exceção e não na regra.

Nos momentos de diversão - finais de semana, passeios, parques, viagens - tudo sempre foi a três. Sei que isso só é possível porque o meu marido é um pai super participativo e disponível e que se ele não fosse assim, certamente eu teria babá, folguista e etc (tanto que quando ele viaja a trabalho e eu passo o final de semana so-zi-nha com a pequena invariavelmente fico toda corajosa / eu me basto no sábado, mas bato na porta da mamãe antes do almoço de domingo). Mas gente! Qual o sentido de não ser assim? Se ele não fosse assim, eu teria tido uma filha com ele?

Qual o sentido de ter um filho se não for para cuidar, dar banho, dar comida, brincar, curtir momentos a sós com ele? Como pode uma pessoa achar normal precisar levar a babá junto somente para deixar o filho na escola? Quando foi que isso aconteceu com o mundo? Que tipo de relação estes pais têm com esses filhos? No que eles acham que estas crianças vão se transformar no futuro?

Provavelmente eles não fazem nem metade destes questionamentos, né? Mas deveriam.